Incêndios naturais frequentes podem ter influenciado mudanças importantes no comportamento de ancestrais humanos que viviam no leste da África há cerca de 1,75 milhão de anos. A hipótese ganhou força após a análise de sedimentos antigos da bacia de Turkana, região associada a descobertas fundamentais sobre a evolução humana.
Os pesquisadores examinaram ceras produzidas por folhas e compostos formados pela queima de plantas. Esses vestígios permitiram reconstruir 21 mil anos de mudanças na chuva, na vegetação e na intensidade do fogo.
No início do período analisado, a paisagem tinha mais florestas e poucos incêndios. Depois, áreas secas de gramíneas passaram a alternar com ambientes mais úmidos. Na fase final, o aumento das chuvas produziu mais biomassa e, consequentemente, mais combustível para grandes queimadas.
Uma possibilidade é que grupos humanos tenham aproveitado áreas recém-queimadas para encontrar plantas assadas ou animais mortos e feridos. Manter um fogo natural ativo também seria mais simples do que produzir chamas do zero, oferecendo uma etapa intermediária no desenvolvimento do domínio do fogo.
O período coincide aproximadamente com o surgimento de ferramentas acheulenses mais complexas, mas os cientistas ressaltam que a relação ainda não foi demonstrada. Os dados mostram um ambiente moldado por incêndios e tornam plausível a influência do fogo sobre novas estratégias de alimentação, deslocamento e tecnologia.


