Empresários destinaram mais de R$ 24,4 milhões aos partidos políticos em 2026 por meio de contribuições que não aparecem diretamente nas prestações de contas dos candidatos. A prática é permitida pela legislação, mas cria uma camada adicional entre os financiadores e os beneficiários eleitorais.
Até 24 de agosto, as legendas haviam declarado R$ 43,4 milhões em recursos privados. Desse total, 114 pessoas fizeram doações superiores a R$ 20 mil. Cinquenta e três contribuíram com mais de R$ 100 mil e seis transferiram ao menos R$ 1 milhão.
A concentração aumentou em relação a 2025, quando os doadores acima de R$ 20 mil somaram R$ 15,4 milhões e ninguém ultrapassou a marca de R$ 1 milhão. O Republicanos liderava o levantamento, com R$ 7,8 milhões recebidos de 37 grandes doadores.
Quando a contribuição vai diretamente para uma campanha, o nome do financiador aparece na prestação de contas do candidato. No repasse aos partidos, os dados ficam nas contas anuais das legendas e o dinheiro pode ser posteriormente transferido às campanhas. A fragmentação dificulta a compreensão imediata de quem sustenta cada projeto eleitoral.
A legalidade formal não elimina a necessidade de transparência. Em uma eleição marcada por fundos públicos bilionários e grandes contribuições privadas, o eleitor deveria conseguir identificar com clareza a origem e o destino de cada recurso antes de votar.
Imagem gerada por IA.


