A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 97% a probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte a partir do final de setembro, no começo da primavera brasileira. A atualização, divulgada em 10 de setembro, amplia a estimativa de 93% apresentada no mês anterior.
A agência também calcula em 93% a chance de o aquecimento do Pacífico equatorial permanecer em um patamar muito elevado até janeiro de 2027. O episódio atual começou em junho e, segundo a previsão, deve continuar ganhando intensidade até o fim de 2026.
Para o trimestre de outubro a dezembro, a NOAA aponta 75% de probabilidade de um evento que ultrapasse a intensidade dos episódios anteriores registrados desde 1950. A projeção se refere à força do fenômeno no oceano e não significa que todos os seus efeitos ocorrerão com igual gravidade.
A diferença é importante porque um El Niño mais intenso aumenta a possibilidade de alterações climáticas associadas ao fenômeno, mas não garante a ocorrência de cada impacto nem que suas consequências sejam mais severas em todas as localidades.
Na região Niño-3.4, usada como referência para acompanhar o episódio, a temperatura da superfície do mar estava 1,8°C acima da média. Esse desvio ainda corresponde à categoria forte. Para alcançar a classificação muito forte, o aquecimento precisa superar 2°C.
A escala considera fraco o El Niño com anomalia entre 0,5°C e 1°C e moderado quando a diferença fica entre 1°C e 1,5°C. Na faixa forte, o desvio varia de 1,5°C a 2°C. Essas medidas representam a diferença em relação à média, e não a temperatura absoluta da água.
O fenômeno ocorre periodicamente e envolve mudanças na circulação do oceano e da atmosfera. O enfraquecimento dos ventos alísios, que normalmente empurram águas quentes em direção à Ásia, favorece o aquecimento do Pacífico equatorial e altera os padrões de chuva.
A previsão indica perda de força no início do outono de 2027. Para o trimestre de abril a junho, a NOAA estima 55% de chance de retorno à neutralidade. Embora seja um processo natural, o El Niño ocorre hoje sob a influência do aquecimento global, que pode ampliar seus efeitos.


