A Polícia Federal afirma que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mantinha uma estrutura voltada à promoção de sua imagem no ambiente digital e à reação a críticas. Os apontamentos constam de documentos tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de quinta-feira (10), no conjunto das apurações sobre o banco.
Uma das situações descritas pelos investigadores envolve a tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo a PF, Vorcaro determinou a publicação de comentários favoráveis em notícias sobre a negociação, com a intenção de transmitir uma percepção positiva da operação.
A ordem teria sido dirigida a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. O relatório relata o envio de matérias sobre o negócio ao banqueiro, seguido de uma orientação para que múltiplos comentários fossem inseridos nas publicações imediatamente.
Na avaliação da polícia, esse tipo de atuação fazia parte de uma prática recorrente para direcionar o debate nas redes de acordo com os interesses de Vorcaro. A suspeita se concentra na organização e na finalidade das intervenções, que teriam sido coordenadas para favorecer a reputação do banco.
A discussão sobre a imagem do Master também envolve o publicitário Thiago Miranda, ex-sócio do portal Leo Dias. Ele teria encomendado um dossiê sobre um diretor do Banco Central para abastecer Vorcaro de informações durante a fiscalização da instituição financeira. O processo de fiscalização culminou na liquidação do Master.
Os comentários citados pela PF se referem, assim, à forma como a negociação com o BRB seria apresentada ao público. A determinação atribuída ao banqueiro buscava passar a impressão de êxito da operação. Os apontamentos integram a investigação e não equivalem a uma condenação dos envolvidos.
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