A Polícia Federal afirma que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mantinha uma estrutura voltada à promoção de sua imagem no ambiente digital e à reação a críticas. Os apontamentos constam de documentos tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de quinta-feira (10), no conjunto das apurações sobre o banco.
Uma das situações descritas pelos investigadores envolve a tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo a PF, Vorcaro determinou a publicação de comentários favoráveis em notícias sobre a negociação, com a intenção de transmitir uma percepção positiva da operação.
A ordem teria sido dirigida a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. O relatório relata o envio de matérias sobre o negócio ao banqueiro, seguido de uma orientação para que múltiplos comentários fossem inseridos nas publicações imediatamente.
Na avaliação da polícia, esse tipo de atuação fazia parte de uma prática recorrente para direcionar o debate nas redes de acordo com os interesses de Vorcaro. A suspeita se concentra na organização e na finalidade das intervenções, que teriam sido coordenadas para favorecer a reputação do banco.
A discussão sobre a imagem do Master também envolve o publicitário Thiago Miranda, ex-sócio do portal Leo Dias. Ele teria encomendado um dossiê sobre um diretor do Banco Central para abastecer Vorcaro de informações durante a fiscalização da instituição financeira. O processo de fiscalização culminou na liquidação do Master.
Os comentários citados pela PF se referem, assim, à forma como a negociação com o BRB seria apresentada ao público. A determinação atribuída ao banqueiro buscava passar a impressão de êxito da operação. Os apontamentos integram a investigação e não equivalem a uma condenação dos envolvidos.
Campanha contra o Banco Central
A decisão de 3 de março de 2026 acrescenta uma referência à contratação de influenciadores para o chamado Projeto DV. Segundo a manifestação da PF reproduzida pelo ministro André Mendonça, a iniciativa foi colocada em prática em dezembro de 2025 e tinha como alvo a reputação do Banco Central.

Os investigadores relacionam essa campanha ao período posterior à revogação da prisão de Vorcaro pelo TRF1, em 28 de novembro de 2025. A PF sustenta que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão fazia a ligação entre o banqueiro e os influenciadores. Trata-se de uma hipótese apresentada para fundamentar medidas cautelares, sujeita ao contraditório.
O trecho também menciona a discussão, no Tribunal de Contas da União, sobre a liquidação extrajudicial do Master. Essa referência não significa que o TCU tenha desfeito a liquidação nem comprova que publicações específicas tenham alterado decisões. A identificação dos contratados e de cada pagamento depende dos elementos da investigação.
A defesa de Vorcaro nega as acusações e afirma que ele colaborou com as autoridades, sem tentar obstruir as investigações.


