O ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande Danilo Morgado (PL) foi preso nesta quinta-feira (17) durante a Operação Vectura Corrupta, investigação que apura a possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte coletivo e em estruturas do poder público paulista.
Morgado, que disputou o comando do município em 2020 e 2024 e concorre a deputado estadual nas eleições deste ano, foi localizado em Praia Grande. A apuração é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do ABC Paulista, ligado ao Ministério Público de São Paulo, e pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes.
Segundo os investigadores, decisões relacionadas a empresas de ônibus com suposta ligação com a facção teriam contado com apoio ou conhecimento político. A operação também teve como alvo o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), candidato a deputado federal. Ele teve a prisão decretada e era considerado foragido até a divulgação das informações.
Mandados em sete cidades
Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em Santos, Praia Grande, Cubatão, São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo e Diadema. Pelo menos nove pessoas foram presas. A Polícia Civil informou que a maior parte dos investigados exerceria funções de liderança dentro da organização criminosa.
O Ministério Público apura a atuação do grupo em 12 empresas de transporte de passageiros e um possível financiamento de campanhas nas eleições municipais de 2024 e no pleito de 2026. A ofensiva é um desdobramento da Operação Decurio, iniciada em agosto de 2024 para investigar uma rede de comunicação usada por integrantes da facção.
As autoridades também investigam se a campanha de Morgado à Prefeitura de Praia Grande em 2024 recebeu recursos ligados ao PCC. A mulher do político, Luciene Athaydes Morgado, manteve relacionamento anterior com Anderson Roberto Braghine, conhecido como Fio, apontado como integrante da facção e investigado por lavagem de dinheiro.
Em nota, a assessoria de Morgado classificou o caso como perseguição política e considerou a prisão irregular. O advogado Marcelo Viela Fernandez afirmou que a defesa ainda não conhecia integralmente as acusações e que o cliente nega de forma veemente qualquer ligação criminosa. Morgado passaria por audiência de custódia nesta sexta-feira (18).


