O El Niño formado em junho de 2026 pode ganhar intensidade nos próximos meses e ampliar o risco de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do Brasil. Segundo projeção divulgada em agosto pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa), há 90% de chance de o fenômeno alcançar a categoria “muito forte”, com anomalias persistentes superiores a 2 graus Celsius no Pacífico equatorial.
A agência norte-americana também estimou em 69% a possibilidade de este episódio se tornar o mais intenso desde o início da série histórica, em 1950, aproximando-se de uma anomalia de 3 graus. O termo “Super El Niño”, porém, é informal: a classificação científica reconhece eventos fracos, moderados, fortes e muito fortes.
O cenário ocorre em meio ao aquecimento recorde dos oceanos. Dados do serviço europeu Copernicus indicaram que a temperatura média global da superfície marítima chegou a 20,96 graus Celsius em julho, o maior valor registrado em cinco décadas. A combinação do fenômeno natural com a mudança climática pode intensificar seus efeitos.
No Brasil, a tendência histórica durante episódios de El Niño é de redução das chuvas no Norte e aumento das precipitações no Sul. Ainda assim, especialistas ressaltam que os impactos variam e não dependem apenas do comportamento da atmosfera. Ocupação urbana, qualidade da infraestrutura e grau de vulnerabilidade social influenciam diretamente a dimensão dos desastres.
Para José Marengo, pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a ocorrência de uma ameaça climática não determina, sozinha, uma tragédia. Medidas de prevenção, planejamento territorial e adaptação urbana são decisivas para reduzir perdas humanas e materiais.
Uma das ferramentas disponíveis é o painel do AdaptaBrasil, que reúne indicadores de risco climático para os 5.570 municípios do país. Em São Paulo, o Centro de Ciência para o Desenvolvimento Cidades Resilientes a Inundações, financiado pela FAPESP e sediado no IPT, também reúne pesquisadores e gestores em busca de soluções para enchentes e outros eventos extremos.
Da Redação


