Pesquisadores da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) desenvolveram uma plataforma que busca identificar alterações de equilíbrio e antecipar o risco de quedas entre pessoas idosas. O sistema reúne uma base móvel, sensores, realidade virtual, jogos digitais e equipamentos capazes de registrar a atividade cerebral e muscular durante os testes.
A tecnologia é resultado de mais de dez anos de pesquisas apoiadas pela FAPESP e deu origem à startup Kerygma Technology. A plataforma pode inclinar-se em até 25 graus, com velocidade máxima de 7 graus por segundo, enquanto mede respostas do corpo diante de diferentes estímulos e situações de instabilidade controlada.
O problema tem impacto crescente na saúde pública. Dados do estudo Elsi-Brasil apontam prevalência de quedas em aproximadamente um quarto da população idosa que vive em áreas urbanas. Entre pessoas com mais de 80 anos, quatro em cada dez sofrem ao menos uma queda por ano.
Os pesquisadores defendem que a triagem inicial continue simples e acessível, com três perguntas e um teste de mobilidade realizado em menos de cinco minutos. A nova plataforma seria destinada a avaliações mais detalhadas, capazes de apoiar a identificação de fatores específicos de risco e orientar intervenções personalizadas.
O equipamento não substitui a fisioterapia nem a prática regular de exercícios, consideradas fundamentais para preservar força, mobilidade e autonomia. A proposta é oferecer informações adicionais aos profissionais de saúde, inclusive por meio de jogos que estimulem movimentos em ambiente seguro e monitorado.
O protótipo já está funcional, mas ainda precisa passar por testes mais amplos com voluntários. A equipe também pretende desenvolver modelos de inteligência artificial para reconhecer padrões associados ao risco de queda. Se as próximas etapas avançarem como esperado, os pesquisadores estimam que a tecnologia possa ganhar escala em cerca de um ano e meio.
Da Redação


