O avanço das universidades chinesas nos rankings internacionais acompanha a expansão contínua do investimento do país em ciência, tecnologia e formação de pesquisadores. Na edição de 2026 do Academic Ranking of World Universities (ARWU), três instituições da China apareceram entre as 25 melhores do mundo: Tsinghua, em 18º lugar; Universidade de Pequim, em 23º; e Zhejiang, em 24º.
O cenário é bem diferente do observado em 2003, quando a primeira edição do levantamento colocou a Universidade de São Paulo entre as 200 melhores, mas não registrou nenhuma instituição chinesa nesse grupo. Em 2026, a USP permaneceu na faixa entre a 101ª e a 150ª posições.
A ascensão está ligada a uma estratégia de longo prazo. O investimento chinês em pesquisa e desenvolvimento saiu de menos de 1% do Produto Interno Bruto no ano 2000 e hoje se aproxima de 3%. O país também ampliou universidades, laboratórios, programas de pós-graduação e políticas para atrair pesquisadores formados no exterior.
Desde 2020, a China lidera o mundo em quantidade de produção científica. Dados da base SCImago indicam que pesquisadores ligados a instituições chinesas publicaram cerca de 1,4 milhão de artigos em 2025, quase o dobro do volume registrado pelos Estados Unidos. A busca por presença em revistas de alto impacto e maior colaboração internacional também ajudou a elevar a visibilidade dessas instituições.
Especialistas ponderam, contudo, que rankings universitários oferecem uma visão parcial da qualidade acadêmica. O ARWU atribui peso elevado a prêmios Nobel e medalhas Fields, além do volume e do impacto de publicações científicas. Os resultados, portanto, ajudam a observar tendências, mas não resumem todas as dimensões de ensino, pesquisa e contribuição social de uma universidade.
Da Redação


