O Partido Liberal (PL) chegará à próxima legislatura com 121 deputados federais, formando a maior bancada da Câmara dos Deputados registrada nas últimas quatro décadas. O resultado combina a consolidação do bolsonarismo nas urnas, o crescimento expressivo do financiamento público e uma estratégia digital que também foi marcada por episódios de desinformação durante a campanha.
Entre os 70 deputados do partido que tentaram renovar o mandato, 63 foram reeleitos. A taxa de sucesso de 90% mostra a força da estrutura montada pela legenda e de parlamentares com grande alcance nas plataformas digitais. Nikolas Ferreira, por exemplo, obteve cerca de 3,1 milhões de votos, enquanto Julia Zanatta ultrapassou 560 mil.
Mais recursos públicos
O avanço eleitoral veio acompanhado de um salto no dinheiro disponível para a campanha. Os recursos do fundo partidário e eleitoral destinados ao PL passaram de aproximadamente R$ 288,5 milhões em 2022 para R$ 881,6 milhões em 2026, uma alta de 205%.
O volume permitiu ampliar campanhas, fortalecer candidaturas regionais e sustentar uma estrutura de comunicação nacional. Dos eleitos pelo partido, 47 não haviam disputado uma vaga na Câmara em 2022, sinal de que a legenda também conseguiu renovar e ampliar seus quadros.
Desinformação entrou na campanha
A expansão ocorreu em uma eleição na qual a Justiça Eleitoral precisou intervir repetidas vezes contra conteúdos falsos ou manipulados. Em setembro, o Tribunal Superior Eleitoral determinou que Nikolas Ferreira retirasse uma publicação que descontextualizava uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão considerou que o conteúdo induzia o público a uma conclusão falsa.
O TSE também intensificou as ações de combate à desinformação e ao uso irregular de inteligência artificial nas eleições de 2026. A existência de decisões contra integrantes do partido não significa, por si só, que todos os votos recebidos pelo PL decorreram de notícias falsas. Ela mostra, porém, que a circulação de desinformação fez parte do ambiente político em que a bancada cresceu.
Poder no próximo Congresso
Com 121 cadeiras, o PL terá capacidade para influenciar a eleição da Mesa Diretora, a composição das comissões e a votação de projetos de interesse de um eventual governo Flávio Bolsonaro. A bancada também será decisiva em propostas que dependem de maioria qualificada, como mudanças constitucionais.
O tamanho do bloco garante ao partido mais recursos, tempo de propaganda e presença nos espaços de comando da Câmara. O resultado transforma o PL na principal força partidária da Casa e amplia o peso do bolsonarismo nas negociações políticas a partir de 2027.


