O nome do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ser mencionado entre aliados de Flávio Bolsonaro (PL) para assumir o Ministério da Justiça em um eventual governo do senador. A possibilidade está em discussão no núcleo político que já começa a desenhar uma futura equipe, embora não exista convite formal nem confirmação do magistrado.
A proposta prevê uma reorganização da Esplanada. O Ministério da Justiça seria separado da área de Segurança Pública, permitindo que Fux assumisse uma pasta voltada às relações institucionais, à política jurídica do governo e à interlocução com o Judiciário.
Saída anteciparia nova vaga no STF
Se aceitasse o cargo, Fux teria de deixar o Supremo antes da aposentadoria compulsória. A saída abriria uma vaga na Corte e permitiria ao novo presidente indicar um sucessor, sujeito à aprovação do Senado.
Esse efeito torna a hipótese especialmente relevante. Além de levar um ministro experiente para a Esplanada, a movimentação daria ao eventual governo a oportunidade de alterar a composição do tribunal logo no início do mandato.
Fux foi indicado ao STF em 2011 e presidiu a Corte entre 2020 e 2022. Antes disso, passou pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e pelo Ministério Público fluminense. Sua trajetória é vista por aliados como um ativo para a condução de temas jurídicos sensíveis.
Cotação não significa convite aceito
A presença do nome em conversas políticas não significa que o ministro tenha concordado com a mudança. Integrantes do Supremo tradicionalmente evitam comentar especulações sobre cargos no Executivo, sobretudo durante uma campanha presidencial.
Também não está definido quem comandaria a eventual nova pasta da Segurança Pública. A separação dos ministérios é defendida por setores que desejam uma estrutura exclusiva para combater o crime organizado, coordenar as forças federais e integrar ações com os estados.
Desenho depende do resultado eleitoral
A montagem de uma equipe antes do segundo turno costuma ter função política: transmitir ao eleitorado uma ideia de governo e aproximar grupos capazes de oferecer apoio. Ao mesmo tempo, nomes cotados podem ser substituídos durante as negociações partidárias.
Flávio Bolsonaro ainda precisará vencer a disputa presidencial e definir o formato administrativo que pretende enviar ao Congresso. Até lá, a possível ida de Luiz Fux para o Ministério da Justiça deve ser tratada como uma articulação em curso, e não como uma nomeação acertada.


