O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que pretende substituir a tabela usada há quase três décadas para remunerar procedimentos do Sistema Único de Saúde. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele também prometeu lançar até o fim de 2026 um painel nacional com informações sobre as filas de atendimento. As duas medidas ainda dependem de implementação e, por isso, não alteram imediatamente o serviço recebido pelos pacientes.
A chamada tabela SUS estabelece valores de referência para o pagamento de consultas, exames e cirurgias. Seus valores são criticados por prestadores de serviços de saúde por não acompanharem os custos atuais. Padilha defende um modelo que considere as diferenças entre regiões e procedimentos. Segundo o ministro, cerca de 1.500 procedimentos vinculados ao programa Agora Tem Especialistas já recebem remuneração superior à da tabela tradicional, em alguns casos de três a quatro vezes o valor anterior.
O painel de filas é outra promessa com efeito potencialmente direto para a população. Reunir dados de estados e municípios permitiria enxergar onde estão os maiores atrasos e direcionar recursos ou mutirões. Mas a utilidade do sistema dependerá da qualidade e da atualização das informações enviadas pelas redes locais de saúde. Um painel, por si só, não cria vagas nem substitui profissionais.
Para que a mudança na remuneração reduza a espera de quem precisa de atendimento, será necessário definir os novos valores, garantir orçamento e monitorar se os serviços contratados ampliam de fato a oferta. A proposta de Padilha coloca na agenda um problema antigo do SUS; o teste decisivo será transformar o anúncio em consultas, exames e cirurgias disponíveis para os pacientes.


