O senador eleito Guilherme Derrite passou a ser apontado por aliados de Flávio Bolsonaro como favorito para comandar um futuro Ministério da Segurança Pública, caso o candidato do PL vença a eleição presidencial. A articulação foi relatada pela Folha de S.Paulo. Até agora, porém, não há convite formal nem nomeação: a composição de um eventual governo continua em discussão.
Ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo no governo Tarcísio de Freitas, Derrite é visto pelo núcleo bolsonarista como um nome de confiança. Ele também participou da elaboração de propostas de Flávio para a área. A federação União-Progressista, da qual seu partido faz parte, sinaliza apoio à indicação. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado também é citado entre os possíveis nomes para a pasta.
A experiência de Derrite no governo paulista torna sua eventual escolha especialmente relevante para a Baixada Santista. As operações Escudo e Verão, realizadas durante sua gestão, ficaram marcadas por dezenas de mortes e denúncias de violência policial. Houve ainda investigações sobre agentes suspeitos de ligação com o crime organizado. Esses episódios exigem exame público dos resultados da política de segurança, além dos indicadores de prisões e apreensões.
Flávio propõe endurecer penas, ampliar vagas em presídios e reforçar a ação repressiva contra facções. Até o momento, não detalhou como financiaria todas essas medidas. Uma política nacional de segurança também depende de investigação qualificada, controle sobre abusos, cooperação entre estados e proteção da população que vive nas áreas mais afetadas pelo crime.
Derrite afirmou que seu apoio à campanha não está condicionado a receber um cargo. Se o nome dele for efetivamente apresentado, a discussão não deverá se limitar à lealdade política: será necessário confrontar as propostas com o histórico da gestão paulista e com seus efeitos para os moradores das regiões onde as operações foram realizadas.


