Lideranças do agronegócio começaram a discutir nomes para ocupar não apenas o Ministério da Agricultura, mas também as pastas do Meio Ambiente e de Minas e Energia em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. A movimentação, descrita em reportagem da Folha de S.Paulo, ocorre antes do segundo turno e não significa que exista convite ou escolha oficial do candidato.
Para a Agricultura, o deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, aparece entre os nomes mais fortes. Na área ambiental, são mencionados o deputado Zé Vitor e os ex-ministros Joaquim Leite e Ricardo Salles. A justificativa apresentada por representantes do setor é a necessidade de interlocução com órgãos que decidem sobre licenciamento, uso da terra e exploração de recursos naturais.
É justamente essa proximidade que torna a discussão relevante para toda a sociedade. O Ministério do Meio Ambiente não atua apenas como interlocutor de um setor econômico: precisa proteger florestas, biodiversidade e comunidades afetadas por atividades produtivas. A presença de representantes do agro no debate público é legítima, mas decisões de fiscalização e licenciamento exigem independência e avaliação técnica.
Na energia, também circula o nome de Adriano Pires, que foi indicado à presidência da Petrobras em 2022 e não assumiu após questionamentos sobre possíveis conflitos de interesses ligados à sua consultoria. Outros nomes são cogitados, e Flávio ainda não anunciou quem escolheria para qualquer dessas funções.
A antecipação da disputa por cargos revela que os rumos das políticas ambiental e energética já estão no centro das negociações eleitorais. Antes de qualquer nomeação, o eleitor tem o direito de saber como um futuro governo conciliaria produção, fiscalização, proteção da natureza e transparência na escolha de ministros.


