O economista Joseph Stiglitz, vencedor do Nobel de Economia de 2001, avalia que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro representaria um risco para o Brasil. Para ele, o impacto não se limitaria à disputa política: a qualidade das instituições democráticas influencia as perspectivas econômicas de curto e longo prazo.
Stiglitz relaciona o funcionamento da democracia à capacidade de um país de investir, fiscalizar o poder e manter políticas públicas estáveis. Quando essas garantias se enfraquecem, afirma, aumentam a incerteza e o custo de decisões de investimento.
No campo econômico, o alerta do professor se concentra na possibilidade de cortes de despesas e impostos sem uma estratégia clara de proteção a áreas essenciais. Educação e infraestrutura são investimentos que podem produzir ganhos futuros; reduzi-los para fechar contas no presente pode prejudicar produtividade e ampliar desigualdades.
O economista também chama atenção para os efeitos distributivos das escolhas orçamentárias. Uma política que diminua serviços públicos enquanto preserve vantagens para os grupos de maior renda tende, em sua avaliação, a elevar a pobreza e concentrar riqueza.
Esses são riscos apontados por Stiglitz, não resultados inevitáveis nem uma projeção numérica de um eventual governo. O tamanho do impacto dependeria das medidas efetivamente apresentadas, da resposta do Congresso e da capacidade de preservação das instituições. Por isso, o debate eleitoral exige que os candidatos detalhem como financiariam suas promessas e quais serviços seriam preservados.


