A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado chama de “classes aspiracionais” grupos que ampliaram seus horizontes de consumo e ascensão social, mas continuam enfrentando insegurança e trabalho precário. Em entrevista publicada neste sábado por O Globo, ela relaciona essa frustração à aproximação de parte desses eleitores com discursos da direita.
Na análise da pesquisadora, políticas sociais dos governos Lula abriram novas possibilidades para muitas famílias. Isso não eliminou, entretanto, os obstáculos para avançar economicamente. Quando o esforço diário não se traduz na melhora esperada, cresce a sensação de que o Estado não ajuda — ou até atrapalha.
A direita, segundo a antropóloga, oferece narrativas que dão nome a essa insatisfação e apontam culpados, inclusive pessoas que dependem de programas sociais. Trata-se de uma interpretação sociológica sobre tendências de voto, não de uma explicação única para as escolhas de todos os trabalhadores. O desafio para qualquer governo é transformar a expectativa de ascensão em renda, segurança e oportunidades concretas.


