A matemática e programadora Mary Tsingou Menzel morreu aos 97 anos, em 27 de agosto, em Los Alamos, nos Estados Unidos. Sua trajetória ajuda a contar uma parte da história da ciência que durante décadas ficou escondida atrás dos nomes de pesquisadores mais conhecidos.
Contratada pelo laboratório de Los Alamos em 1952, Mary começou entre as chamadas computadoras humanas: profissionais, em sua maioria mulheres, que realizavam cálculos para pesquisas científicas. Pouco depois, passou a programar o MANIAC I, um dos primeiros computadores eletrônicos do laboratório.
Em 1955, ela escreveu o código e executou os cálculos de um experimento sobre o movimento de partículas conectadas por molas. Os pesquisadores esperavam que a energia se espalhasse pelo sistema de maneira aparentemente aleatória. Os resultados mostraram algo surpreendente: o movimento podia seguir padrões e voltar periodicamente a uma configuração próxima da inicial.
A descoberta se tornou importante para o estudo de sistemas não lineares, presentes em fenômenos como o clima e os batimentos cardíacos. Apesar do papel de Mary na programação e na obtenção dos resultados, o trabalho ficou conhecido por décadas apenas pelos sobrenomes de três pesquisadores: Fermi, Pasta e Ulam. Na publicação original, ela recebeu um agradecimento em nota, sem figurar entre os autores.
O reconhecimento ganhou força mais de 50 anos depois. Hoje, o experimento também é chamado de Fermi–Pasta–Ulam–Tsingou, incluindo o nome da mulher cujo trabalho tornou a investigação possível. Mary continuou em Los Alamos por quase quatro décadas, numa carreira que atravessou os primeiros passos da computação científica.


