Vazamentos de metano descobertos no fundo do mar ao redor da Antártida abriram uma nova frente de pesquisa sobre o clima. Cientistas identificaram dezenas de pontos onde o gás sai de fissuras no leito marinho, mas ainda não sabem o volume total liberado nem quanto dele alcança a atmosfera.
O oceanógrafo Andrew Thurber encontrou um desses pontos em 2012, nas águas próximas à estação de McMurdo. Desde então, equipes de pesquisa localizaram outros vazamentos na região do mar de Ross. Alguns foram observados em áreas estudadas havia anos, o que levanta a possibilidade de que tenham surgido recentemente.
Em muitos lugares do mundo, microrganismos que vivem junto a essas fissuras consomem boa parte do metano antes que ele alcance a superfície. Nos pontos rasos examinados pela equipe na Antártida, porém, os pesquisadores inicialmente encontraram poucos dos microrganismos mais conhecidos por realizar essa tarefa. Em uma área profunda, o quadro foi diferente: eles estavam presentes em grande quantidade.
A origem dos novos vazamentos permanece incerta. Uma hipótese é que mudanças no gelo e na circulação subterrânea de água estejam abrindo caminhos para o gás, mas ainda faltam medições para estabelecer essa relação. Também há sinais de adaptação da vida marinha: os cientistas encontraram microrganismos diferentes, capazes de consumir metano.
Por enquanto, não é possível afirmar que os vazamentos representem uma grande fonte de emissões para a atmosfera. A descoberta mostra por que medir o gás, acompanhar a evolução das fissuras e entender a resposta dos organismos marinhos se tornou urgente.


