Recifes de coral estão entre os ambientes mais afetados pelo aquecimento dos oceanos. Nas Ilhas Cook, no Pacífico Sul, duas biólogas investigam uma possibilidade para ajudar a protegê-los: colocar corais de diferentes origens lado a lado e observar se os mais resistentes favorecem a sobrevivência dos demais.
Anya Brown e Rachael Bay estudam o recife que cerca Rarotonga. Em um viveiro instalado no mar, elas comparam fragmentos de coral coletados em diferentes pontos da ilha. Também submetem amostras a temperaturas mais altas para descobrir por que algumas colônias sofrem branqueamento e outras resistem ou se recuperam.
A hipótese surgiu de uma observação anterior de Brown, durante um surto de doença em um viveiro nas Ilhas Cayman. Corais da mesma espécie reunidos a partir de recifes diferentes sobreviveram melhor do que aqueles agrupados por uma única origem. Uma possível explicação envolve os microrganismos que vivem com os corais e podem influenciar sua saúde. Os cientistas ainda precisam demonstrar se há uma troca capaz de produzir esse efeito.
Os primeiros resultados em Rarotonga mostram sinais de resistência ao calor, mas não comprovam que corais saudáveis possam “curar” os demais. Durante uma onda de calor em 2024, parte dos fragmentos do viveiro sofreu branqueamento e muitos se recuperaram. Como não havia um grupo de controle para aquela observação, as pesquisadoras seguem realizando testes mais precisos.
Entender esses mecanismos pode melhorar a escolha de corais para projetos de restauração. A pesquisa busca dar aos recifes mais chances de sobreviver enquanto a redução das emissões e do aquecimento dos mares continua sendo decisiva para seu futuro.


