O presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá indicar nomes para até 53 postos estratégicos que dependem da aprovação do Senado. A conta reúne vagas já abertas e outras previstas até o fim de 2027. Entre elas estão diretorias de órgãos reguladores e tribunais superiores, incluindo uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.
A escolha começa com o presidente, mas não termina nele. Cada indicado precisa passar por sabatina e votação no Senado. Para ser aprovado em plenário, deve receber ao menos 41 votos.
A nova composição da Casa torna essa negociação mais difícil. A partir de fevereiro de 2027, o PL terá a maior bancada, com 29 dos 81 senadores. Partidos de direita reunirão 48 cadeiras, enquanto os de esquerda terão 16.
Das 53 indicações possíveis, 45 dizem respeito a agências e órgãos reguladores, como o Banco Central, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica e a Comissão de Valores Mobiliários. Outras oito são para o Judiciário: uma no STF, quatro no Superior Tribunal de Justiça e três no Tribunal Superior do Trabalho.
A disputa importa para além de Brasília. As autoridades escolhidas para órgãos reguladores participam de decisões que afetam energia, petróleo, transportes, saúde e o funcionamento dos mercados. Uma vaga sem titular ou uma indicação retida por meses pode atrasar essas decisões.
O Senado já mostrou que pode impor obstáculos ao governo. Em abril de 2026, rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF. Agora, com uma bancada de oposição maior, Lula dependerá de negociações com partidos de centro e de apoio construído para cada nome. O primeiro grande teste dessa relação virá na escolha do presidente do Senado, prevista para fevereiro.


