Remédio funciona em células, mas pode falhar no corpo: entenda por quê

Data:

Um experimento em células pode mostrar que uma molécula bloqueia uma proteína ligada a uma doença. A observação é importante, mas deixa uma pergunta decisiva em aberto: a substância conseguirá produzir esse efeito dentro do corpo humano?

Depois de administrado, um candidato a medicamento pode ser absorvido em quantidade insuficiente, ser transformado pelo fígado ou ser eliminado antes de alcançar o tecido doente. Ele também pode chegar a outros órgãos e provocar efeitos indesejados. A dose necessária para agir no alvo pode, portanto, ser diferente da dose tolerável pelo paciente.

Mesmo quando atinge o tecido certo, o efeito observado em uma cultura de células pode mudar diante da ação do sistema imunológico, da circulação e de outros processos biológicos. Pessoas com a mesma doença também podem responder de maneiras distintas.

Essa distância entre um sinal promissor na pesquisa inicial e um benefício clínico exige cautela. É por isso que cientistas combinam diferentes modelos experimentais e avançam para estudos em pessoas somente após reunir evidências adequadas de segurança.

Um teste positivo na bancada abre uma possibilidade. Demonstrar que ela melhora a vida de pacientes exige outro conjunto de provas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Newsletter

spot_imgspot_img

Mais Lidos

Leia Mais

Pesquisas que não dão certo também podem evitar desperdício de dinheiro e tempo

Quando uma pesquisa não confirma sua hipótese, o resultado...

Órgãos em miniatura podem melhorar testes de remédios; veja o que ainda não conseguem prever

Células humanas cultivadas em estruturas tridimensionais e sistemas conhecidos...

Por que desenvolver um novo medicamento leva anos e exige tanto investimento

O alto custo de desenvolver medicamentos não está apenas...

Inteligência artificial acelera a busca por remédios, mas resultados ainda precisam ser testados

Ferramentas de inteligência artificial já ajudam cientistas a propor...