Uma molécula pode agir exatamente como os pesquisadores esperavam em uma bancada de laboratório e, ainda assim, jamais chegar à farmácia. Entre identificar uma candidata e aprovar um tratamento, há uma sequência de perguntas que a descoberta inicial não responde.
Primeiro, é preciso verificar se a substância alcança o tecido certo em quantidade suficiente. Ela também não pode causar danos maiores do que o benefício esperado. A dose que funciona em células isoladas pode ter outro efeito quando passa pelo fígado, circula pelo sangue e interage com diferentes órgãos.
Depois vêm os estudos clínicos. Eles avaliam segurança, dose e eficácia em pessoas, em etapas progressivas. Um resultado positivo em uma fase não garante sucesso na seguinte: os participantes podem ter características diferentes, surgir efeitos adversos ou o tratamento mostrar vantagem pequena diante das opções já existentes.
O processo exige ainda métodos de fabricação capazes de reproduzir o produto com qualidade constante. Uma descoberta científica importante pode, portanto, continuar valiosa mesmo quando não se transforma em medicamento: ela ajuda a entender a doença e a orientar novos experimentos.
encontrar uma molécula promissora é o começo de uma investigação, e não a demonstração de que ela já pode tratar pacientes.


