Uma pesquisa combinou tomografias, datação por carbono e análises químicas de cabelos para reconstruir os meses finais de três jovens indígenas sacrificados pelo Império Inca por volta de 1450. Os restos foram encontrados nas montanhas Cerro Esmeralda e Cerro El Plomo, no atual território chileno.
As variações de isótopos presentes nos fios indicam mudanças sucessivas de alimentação, água e ambiente. Para os pesquisadores, os dados são compatíveis com longas peregrinações por diferentes regiões andinas antes do ritual conhecido como Capacocha. As solas espessas dos pés de um dos meninos também sugerem caminhadas prolongadas.
Os exames apontaram diferenças nas circunstâncias das mortes. Uma fratura no crânio do Menino de El Plomo é compatível com um golpe, enquanto não foi possível determinar com a mesma precisão a causa da morte das duas meninas de Cerro Esmeralda.
Publicado na revista Science Advances, o trabalho reforça a interpretação de que esses rituais tinham dimensões religiosas e políticas. As vítimas eram tratadas como intermediárias com divindades das montanhas, e as cerimônias ajudavam o Estado inca a demonstrar presença sobre territórios distantes. Os autores ressaltam que parte da reconstrução permanece sujeita a novas evidências arqueológicas.


