O primeiro porco clonado pelo Centro de Ciência para Desenvolvimento de Xenotransplante da USP foi eutanasiado em 28 de julho, aos quatro meses e quatro dias. O animal fazia parte de um projeto que busca produzir suínos geneticamente modificados para fornecer órgãos a transplantes humanos no futuro.
Com 84 quilos, o porco já havia atingido a maturidade sexual e apresentava órgãos de tamanho considerado adequado para estudos. Os ensaios iniciais previam uma sobrevida de até sete meses.
Segundo a equipe, o objetivo principal desta etapa era validar a técnica de clonagem desenvolvida no Brasil, o que foi alcançado. Um segundo clone chegou a nascer, mas morreu pouco depois.
Os pesquisadores afirmam que a decisão de antecipar a eutanásia também considerou os custos de manutenção no biotério. A demora na liberação de recursos aprovados ameaça a continuidade de bolsas e de etapas futuras do projeto.
O próximo passo é clonar embriões submetidos a edição genética para reduzir o risco de rejeição imunológica. Essa fase ainda depende de financiamento e de autorizações de biossegurança.
O corpo do animal será taxidermizado e deverá integrar o acervo do Museu de Zoologia da USP. A exposição pretende mostrar a importância científica do projeto e explicar que o desenvolvimento de xenotransplantes exige sucessivas etapas de teste, avaliação e aperfeiçoamento.


