Crítica | Supergirl (2026): Crise Pós-Adolescente, Planetas Genéricos e o Charme do “Maioral

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Por: Celo Franco, o Nerdalhão

Pega a sua capa, prepara o seu energético e vem comigo, porque o novo capítulo do Universo DC (DCU) de James Gunn finalmente pousou nos cinemas. Sob a direção de Craig Gillespie, Supergirl chegou com aquela promessa de bastidores: “Vai ter a mesma vibe cósmica, caótica e de chorar no final que vimos em Guardiões da Galáxia!”. Bem… prometer é fácil, o problema é combinar com os cenógrafos.

O filme é bom? É. Mas bota a sua roupa de astronauta que o Nerdalhão aqui precisa destrinchar uns detalhes com você.

Mais do Mesmo no Espaço: Alguém Avisa que o Universo é Grande?
Vamos começar pelo elefante na sala cósmica. Quando a gente pensa em James Gunn e sua trupe de Guardiões da concorrência, a gente espera planetas psicodélicos, cores que fritam a retina e alienígenas bizarros. Em Supergirl, infelizmente, parece que a equipe de efeitos visuais comprou um “pack de cenários espaciais” na promoção e esqueceu de variar.

As cenas de ação e os planetas são quase todos iguais. É sério. Kara viaja meio milhão de anos-luz para cair em uma duna de areia cinza que se parece muito com a duna de areia marrom do planeta anterior. A ação é bem coreografada, não me leve a mal, mas dá uma sensação forte de déjà vu espacial. Faltou aquela assinatura visual que te faz falar: “Caramba, que lugar fantástico!”.

O Ponto Alto: Segura essa Atuação (e essa Crise de Identidade)
Se a cenografia joga no modo seguro, Milly Alcock joga no modo cinematografia de gala. Que entrega! A proposta do roteiro não é te dar uma heroína perfeita que acorda com o cabelo impecável. É uma super-garota lidando com o peso bruto de uma crise pós-adolescente misturada com o trauma de ver seu planeta natal explodir.

Alcock entrega uma Kara invocada, vulnerável, teimosa e absurdamente real. Ela carrega o filme nas costas com aquela cara de “eu tenho o poder de destruir um sistema solar, mas ainda não sei o que fazer da minha vida”.

A Surpresa do Filme: E o que falar do Lobo de Jason Momoa? O bicho não está ali só para quebrar coisas e falar palavrão (embora faça isso muito bem). O “Maioral” aparece com uma certa razão de moral nos seus argumentos que chega a dar um nó na cabeça. Ele questiona a hipocrisia dos heróis de um jeito que você pensa: “Putz, pior que o motoqueiro azul e marombado tem um ponto”. Dinâmica excelente!

Alô, DC! Cadê o Meu Fan Service de Respeito?
Agora, a dor no coração deste Nerdalhão que vos fala: o filme se fecha tanto em si mesmo que esquece que faz parte de um universo gigantesco que está começando. Custava terem colocado uma pitada de tempero no que está por vir? Uma cena pós-créditos, um monitor piscando, um sussurro no vácuo… nada!

Senti uma falta tremenda de um vislumbre de um Brainiac ou do próprio Darkseid. Quem lê quadrinhos sabe que o arco onde o Darkseid faz uma lavagem cerebral na Kara e o primo Kal-El precisa ir até Apokolips resgatá-la é puro suco de DC Comics. Deixar o espectador sem um gancho dessa magnitude foi um balde de água fria nas nossas teorias de internet. Joga um osso pra gente, Gunn!

Veredito
Supergirl diverte, tem uma atuação avassaladora de Milly Alcock e um Lobo que rouba a cena. Perde pontos pela falta de ousadia visual nos cenários e por não abrir as portas para o futuro grandioso da editora, mas ainda assim é um tijolo sólido na reconstrução da DC nos cinemas. Vale o ingresso, só não espere descobrir o sentido da vida cósmica.

Nota do Nerdalhão: 7.5 / 10

Ficha Técnica
Título Original: Supergirl

Lançamento: 25 de junho de 2026

Gênero: Ação, Ficção Científica, Aventura

Direção: Craig Gillespie

Roteiro: Ana Nogueira

Distribuição: Warner Bros. Pictures

Duração: 1h 47min (107 min)

Classificação Indicativa: 14 anos

Elenco Principal
Milly Alcock como Kara Zor-El / Supergirl

Jason Momoa como Lobo

Matthias Schoenaerts como Krem

Eve Ridley como Ruthye

David Corenswet como Superman

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