Mais de um terço dos reconhecimentos de paternidade registrados no Brasil ocorre depois que a criança completa 6 anos. Dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais mostram que essa faixa representa 36,2% dos 327.869 reconhecimentos realizados entre 2014 e junho de 2026.
Do total, 14,7% aconteceram somente após a maioridade. Outros 12,9% foram formalizados entre 6 e 11 anos e 8,5% entre 12 e 17 anos.
A maior parcela dos reconhecimentos ainda ocorre nos primeiros anos de vida: 29,4% até 1 ano e 34,3% entre 1 e 5 anos. Especialistas alertam, porém, que a demora pode afetar direitos de identidade, convivência familiar, herança e acesso a benefícios.
Uma pesquisa do Instituto Locomotiva com 1.030 adultos apontou que quatro em cada dez entrevistados não tiveram pai ou figura paterna presente na infância e na adolescência. O problema é mais frequente em contextos de vulnerabilidade social.
Para facilitar a busca, o Ministério Público de São Paulo e o Poupatempo mantêm o serviço gratuito Encontre seu Pai Aqui. O pedido pode ser iniciado pela internet e pode levar à realização voluntária de exame de DNA.
Quando o suposto pai se recusa a fazer o teste, a Justiça pode considerar a negativa em conjunto com outras provas. O reconhecimento formal não encerra, por si só, os efeitos da ausência, mas assegura direitos e estabelece responsabilidades legais.


