China constrói corredor solar de 400 quilômetros no deserto

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A China avança na construção de um megaprojeto de energia limpa no deserto, chamado de “Grande Muralha Solar”. A estrutura terá cerca de 400 quilômetros de extensão e deve ser concluída até 2030, como parte da estratégia do país para ampliar a geração renovável e reduzir a pressão sobre fontes poluentes, especialmente o carvão.

O projeto está localizado na região da Mongólia Interior, uma das principais vitrines chinesas para energia solar, eólica, hidrogênio verde e armazenamento de energia. Ao mesmo tempo, a região continua sendo a maior produtora de carvão do país, o que mostra a tentativa de conciliar expansão renovável com segurança energética.

A proposta é usar a geração solar para atender parte da demanda crescente por eletricidade, pressionada pela eletrificação de setores como o automotivo e pelo avanço dos data centers. A expectativa é que o corredor ajude a aliviar o sistema em períodos de pico e reduza a necessidade de acionar fontes convencionais.

Além de produzir energia, a estrutura também foi pensada para combater a desertificação. As autoridades chinesas afirmam que a cobertura vegetal na região passou de 5% para cerca de 30%, em um esforço para conter o avanço da areia sobre áreas próximas e reduzir riscos até para Pequim.

O modelo adotado nos parques solares combina três funções. Sobre as placas, ocorre a geração de energia. Abaixo delas, a sombra reduz a temperatura da superfície, diminui a evaporação e ajuda a reter umidade no solo. Entre os painéis, há espaço para cultivo de vegetação nativa e, em alguns casos, uso como pastagem.

Segundo autoridades locais, a geração de energia limpa na região já reduz a emissão de 1,6 milhão de toneladas de dióxido de carbono por ano. Ainda assim, a China segue como maior emissora global de CO₂ e mantém o carvão como peça importante de sua matriz energética.

A “Grande Muralha Solar” simboliza a ambição chinesa de liderar a transição energética em escala industrial, mas também expõe o dilema do país: ampliar rapidamente as fontes limpas sem abandonar, no curto prazo, uma estrutura econômica ainda fortemente apoiada em combustíveis fósseis.

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