El Niño pode ser o mais forte deste século em 2026 e ameaça causar eventos climáticos extremos no mundo todo. Entenda os riscos.
O El Niño 2026 já começou e pode se transformar no episódio mais intenso deste século, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A agência elevou para 63% a probabilidade de o fenômeno evoluir para um evento muito forte ainda neste ano — quase o dobro da estimativa feita em maio.
O alerta preocupa porque o El Niño tem efeito global. Quando as águas do Pacífico tropical esquentam de forma anormal, o padrão de chuvas e secas se altera em diversos continentes, com potencial para desastres.
O que está acontecendo no Pacífico
O fenômeno se forma quando águas quentes avançam em direção à costa do Peru, onde o oceano costuma ser frio. Modelos da NOAA projetam que a temperatura do Pacífico tropical pode subir 2,4 °C até novembro, despejando calor e umidade na atmosfera.
Foi exatamente esse cenário que surpreendeu meteorologistas no início do ano. Um dos modelos apontou o segundo evento mais forte desde 1991, comparável apenas ao El Niño de 1997, lembrado por secas, enchentes e tragédias climáticas pelo mundo.
Por que a confiança dos cientistas aumentou
Durante a primavera no Hemisfério Norte, rajadas de vento podem fortalecer ou enfraquecer o fenômeno, o que torna a previsão difícil. Essa fase é conhecida como “barreira de previsibilidade da primavera”.
Neste ano, porém, ventos vindos do oeste — possivelmente impulsionados por três ciclones que se formaram quase ao mesmo tempo perto de Papua-Nova Guiné, em abril — parecem estar empurrando o El Niño para um estágio mais forte. Com a barreira superada, os modelos passaram a convergir com rara consistência.
Quais eventos climáticos extremos podem ocorrer
Se a previsão se confirmar, os impactos tendem a ser sentidos em várias regiões. Chuvas intensas podem provocar inundações no sul dos Estados Unidos, no leste da África e na China. Já Indonésia, Austrália e sul da África enfrentariam maior risco de seca e incêndios.
A temporada de furacões no Pacífico pode ganhar força, enquanto a do Atlântico tende a enfraquecer. O fenômeno também costuma elevar as temperaturas globais, e cientistas não descartam que 2027 se torne o ano mais quente já registrado.
Atenção para a Amazônia
Especialistas demonstram preocupação especial com áreas onde os efeitos do El Niño se somam a tendências de longo prazo. É o caso de recifes de corais, da pesca e de regiões já castigadas por estiagens prolongadas — como a Amazônia, que vem sofrendo secas severas nos últimos anos.
Outro ponto que chama atenção é a velocidade do fenômeno. O planeta ainda estava sob La Niña no inverno de 2025, com águas mais frias no Pacífico. Uma virada tão rápida para um El Niño muito forte não era observada desde o início das medições, na década de 1950.
O recado dos cientistas
A mensagem dos pesquisadores é direta: o mundo deve se preparar para grandes perturbações no clima. Com a atmosfera mais carregada de umidade e energia por causa do aquecimento global, os extremos do El Niño podem ser amplificados.


