Surto de Ebola raro já matou 192 e intriga cientistas

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Surto de Ebola causado pelo vírus Bundibugyo já infectou mais de 800 e matou 192 na África. Entenda por que ele preocupa a ciência.

Um surto de Ebola provocado por um vírus pouco conhecido já infectou mais de 800 pessoas e matou 192 na República Democrática do Congo (RDC) e na vizinha Uganda. É o terceiro maior surto de Ebola da história — e ele está colocando os cientistas em alerta.

O responsável é o vírus Bundibugyo, uma espécie de Ebola que havia causado apenas dois surtos antes, ambos há mais de uma década. Por ser tão raro, é também um dos menos estudados.

Um vírus que pegou a ciência de surpresa

Segundo pesquisadores, há tão pouca literatura científica sobre o Bundibugyo que seria possível ler tudo o que já se publicou sobre ele em uma única tarde. Essa falta de conhecimento é justamente o que mais preocupa os especialistas que assessoram os órgãos de saúde da África.

O vírus foi identificado pela primeira vez em 2007, na região de Bundibugyo, em Uganda, quando adoeceu 149 pessoas e matou 37. Um segundo surto, menor, ocorreu na RDC em 2012. Depois disso, o Bundibugyo havia sumido — até este ano.

Por que o surto demorou a ser detectado

Um dos grandes problemas é o diagnóstico. O teste mais usado para Ebola foi desenhado para identificar a espécie Zaire, a mais comum, e não detecta o Bundibugyo de forma confiável.

Como consequência, o surto foi reconhecido tardiamente, e o vírus circulou de forma silenciosa por vários meses. As vacinas e os tratamentos já licenciados contra o Ebola Zaire também podem não funcionar bem contra essa espécie.

Menos letal, porém mais “discreto”

Apesar de causar os mesmos sintomas das outras formas de Ebola — febre alta, hemorragias internas e falência de órgãos —, o Bundibugyo parece ter uma taxa de mortalidade menor. Nos dois surtos anteriores, ela foi de 25% e 51%, contra 40% a 90% típicos do Ebola Zaire.

Em testes de laboratório, a doença evolui mais lentamente, o que dá ao organismo mais tempo para se defender. Mas há um paradoxo: uma doença mais branda pode fazer com que pacientes demorem a procurar atendimento, permanecendo na comunidade e espalhando o vírus.

O que os pesquisadores querem descobrir

A corrida científica agora é grande. Os cientistas tentam entender se o Bundibugyo é realmente mais transmissível, se pode permanecer “escondido” no corpo de quem se recupera e onde está seu reservatório natural — provavelmente algum tipo de morcego, embora isso ainda não esteja confirmado.

O fato de todos os surtos terem ocorrido na região de fronteira entre RDC e Uganda também é visto como uma pista importante a ser investigada.

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