A possibilidade de um El Niño de intensidade muito forte em 2026 e 2027 acendeu o alerta no campo brasileiro. Projeções climáticas apontam probabilidade superior a 90% de o fenômeno alcançar essa categoria, com efeitos que podem variar entre chuvas excessivas, secas prolongadas e ondas de calor.
No Sul, o El Niño costuma aumentar o volume e a frequência das chuvas, elevando o risco de enchentes e dificultando colheitas. No Norte e no Nordeste, a tendência é de redução das precipitações, com impactos sobre milho, feijão, pastagens e pecuária. Centro-Oeste e Sudeste podem enfrentar temperaturas acima da média e períodos de baixa umidade.
Os efeitos não são iguais para todas as lavouras. Tipo de solo, fase de desenvolvimento da planta, capacidade de drenagem e momento em que a chuva chega podem transformar um mesmo evento em benefício ou prejuízo. A água adicional pode favorecer a produtividade, mas também aumentar doenças, reduzir a qualidade dos grãos e impedir o uso de máquinas.
Na safra 2023/2024, o Brasil perdeu 21,4 milhões de toneladas de grãos durante um período marcado pelo fenômeno. O dado reforça a necessidade de planejamento, sistemas de alerta, sementes mais resistentes e técnicas de manejo capazes de preservar a umidade ou escoar o excesso de água.
Com a agricultura responsável por parcela expressiva da economia nacional, as consequências ultrapassam as propriedades rurais. Quebras de safra pressionam preços, exportações, empregos e o custo dos alimentos, tornando a adaptação climática uma questão de segurança econômica.


