Centenas de milhares de amostras da flora brasileira que deixaram o país ao longo dos séculos estão sendo recuperadas em imagens de alta resolução. O projeto Reflora digitaliza espécimes guardados em grandes herbários europeus e reúne as informações em uma plataforma sediada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Até setembro de 2026, aproximadamente 265 mil amostras conservadas nos Jardins Botânicos Reais de Kew, em Londres, e outras 250 mil do Museu Nacional de História Natural de Paris haviam sido incorporadas ao acervo virtual brasileiro. Entre elas está uma pequena planta coletada na Bahia por Charles Darwin em 1832.
Herbários funcionam como arquivos da biodiversidade. As plantas são prensadas, secas e acompanhadas por fichas que registram local, data e circunstâncias da coleta. Esse material permite estudar distribuição geográfica, mudanças ambientais e até a história da exploração científica do território.
Muitas coleções brasileiras foram formadas durante expedições europeias e nunca retornaram fisicamente ao país. A digitalização não substitui a repatriação dos exemplares, mas democratiza o acesso e permite que pesquisadores brasileiros consultem peças antes disponíveis apenas mediante viagens internacionais.
O trabalho também ajuda a corrigir lacunas taxonômicas e identificar espécies ameaçadas ou pouco conhecidas. Ao transformar coleções históricas em um banco de dados acessível, o projeto devolve ao Brasil parte importante de sua memória natural.


