O mercado brasileiro de cannabis medicinal entrou em uma fase de crescimento acelerado. As autorizações concedidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária passaram de cerca de 850, em 2015, para quase 195 mil em 2025, enquanto o setor movimentou perto de R$ 1 bilhão no país.
A expansão atraiu grandes grupos empresariais e ampliou a oferta de produtos importados ou fabricados pela indústria farmacêutica. Atualmente, 25 empresas concentram 52 produtos autorizados pela Anvisa, cenário que fortalece a participação corporativa em um segmento antes impulsionado principalmente por famílias de pacientes e organizações sem fins lucrativos.
As associações continuam tendo papel relevante no acesso aos derivados da cannabis. Em 2025, havia 315 entidades com CNPJ ativo, aumento de 22% em relação ao ano anterior. Muitas cultivam a planta e produzem óleos para associados amparadas por decisões judiciais, mas enfrentam insegurança regulatória e não podem comercializar seus produtos da mesma maneira que as farmacêuticas.
O avanço empresarial pode ampliar escala, padronização e investimentos, mas também provoca receio de aumento de preços e concentração. O desafio regulatório será criar regras que garantam qualidade e segurança sem excluir associações que atendem pacientes que não conseguem arcar com medicamentos importados.
O crescimento econômico ocorre mais depressa do que a consolidação das evidências científicas para diversas indicações. Por isso, expansão comercial, fiscalização e pesquisa clínica terão de caminhar juntas para que o acesso não seja guiado apenas pela força do mercado.


