PCC amplia logística do tráfico e passa a operar também por portos fora do Brasil

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O Primeiro Comando da Capital ampliou sua rota internacional do tráfico de cocaína e passou a operar também por portos estrangeiros, num movimento que mostra uma facção cada vez mais adaptada à lógica transnacional do crime organizado. As investigações apontam que o grupo deixou de depender apenas de terminais brasileiros e utilizou estruturas no Uruguai, no Panamá e no Equador para escoar carregamentos rumo à Europa.

As apurações indicam que esse avanço ocorreu em associação com integrantes da máfia italiana ’Ndrangheta. O consórcio criminoso também teria contado com a participação de traficantes albaneses e australianos, num esquema que movimentou cifras bilionárias entre 2018 e 2024. Entre os casos mapeados está o envio de cocaína a partir do porto de Bolívar, no Equador, com transbordo no porto de Rodman, no Panamá, antes da chegada à Itália, além de outra rota saindo de Montevidéu com destino a Gênova.

Segundo a investigação, brasileiros ligados ao PCC montaram uma base em João Pessoa para coordenar parte desses embarques internacionais. Em uma das operações descritas, 102 quilos de cocaína seguiram do Equador até o porto italiano de Gioia Tauro. Em outra, 22,5 quilos saíram de Montevidéu em um contêiner, enquanto um terceiro carregamento, de 440 quilos, foi enviado do Brasil para Algeciras, na Espanha. Parte dessas cargas acabou apreendida, mas o material reunido mostra a sofisticação logística e financeira da rede.

O que esse novo desenho revela é que o PCC deixou de atuar apenas como facção brasileira com ramificações externas e passou a se comportar como organização de alcance internacional, com rotas flexíveis, operadores fora do país e conexão direta com estruturas mafiosas consolidadas. O uso de portos estrangeiros amplia a capacidade de driblar vigilância, diversificar caminhos da droga e reduzir a dependência de corredores já conhecidos pelas autoridades brasileiras.

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