A convocação de Neymar e a ausência de João Pedro renderam um dos momentos mais fortes da coletiva de Carlo Ancelotti. Ao questionar o treinador sobre a escolha, o jornalista PVC foi direto ao ponto e expôs uma contradição que há anos acompanha o debate sobre a Seleção Brasileira: se o futebol europeu costuma ser tratado como parâmetro mais alto de exigência, como um jogador com 15 jogos no Brasil leva vantagem sobre outro que marcou 15 gols na Premier League?
A pergunta colocou Ancelotti em dificuldade. Em vez de responder de forma objetiva por que Neymar superou João Pedro na disputa por uma vaga, o técnico tentou contornar o tema falando sobre diferenças entre o calendário europeu e o brasileiro, citando viagens, calor e o desgaste de atuar no país. Também disse que João Pedro merecia estar na lista pela temporada que fez, mas afirmou que a comissão técnica optou por outros nomes.
A resposta, porém, não esclareceu o ponto central. Ao reconhecer o mérito de João Pedro e, ao mesmo tempo, evitar explicar com clareza o motivo da escolha por Neymar, Ancelotti acabou transmitindo a sensação de incômodo e falta de convicção. Foi uma fala longa, cheia de desvios, mas sem atacar de frente a dúvida levantada por PVC.
No fim, o jornalista conseguiu o que queria: expôs a incoerência do critério e deixou o treinador sem uma resposta realmente firme. Mais do que um questionamento sobre dois atacantes, a cena virou um retrato da cobrança por coerência nas decisões da Seleção.


