O Palmeiras empatou com o Cerro Porteño por 1 a 1, em Assunção, e deixou uma impressão incômoda: quando não há interferência decisiva da arbitragem para empurrar o resultado, o time de Abel Ferreira volta a mostrar um futebol bem menos confiável do que a campanha tenta vender. O tropeço no Paraguai expôs um roteiro que já vinha sendo mascarado por resultados recentes: o Verdão até controla trechos dos jogos, mas tem enorme dificuldade para matar partidas e convive com falhas que a arbitragem, em outras noites, ajudou a esconder.
No primeiro tempo, o Palmeiras foi superior e mereceu a vantagem. Dominou as ações, teve mais posse, criou as melhores chances e abriu o placar aos 32 minutos, quando Allan fez grande jogada, tabelou com Marlon Freitas e serviu Arias para empurrar para a rede. Antes disso, Allan já havia desperdiçado uma chance claríssima, acertando o travessão quase em cima da pequena área. O volume existiu, mas a incapacidade de transformar domínio em placar mais largo já dava sinais de problema.
O Cerro, por sua vez, ameaçou pouco na etapa inicial. Ainda assim, o Palmeiras não conseguiu transformar a superioridade em controle absoluto. Foi para o intervalo vencendo por apenas 1 a 0, mesmo com o adversário oferecendo espaços e produzindo quase nada ofensivamente. Esse tipo de desperdício tem se repetido e ajuda a explicar por que o time sofre mais do que deveria mesmo em jogos que parecem sob medida para uma vitória tranquila.
Na volta do intervalo, o panorama mudou. O Cerro cresceu, passou a insistir mais em bolas alçadas e empurrou o Palmeiras para trás em alguns momentos. O time paulista ainda teve oportunidades com Flaco López, Sosa e Arias, mas voltou a pecar nas decisões. Até que, aos 26 minutos do segundo tempo, Iturbe arriscou de longe, a bola desviou em Murilo, bateu na trave e voltou nas costas de Carlos Miguel antes de entrar. O empate premiou um Cerro mais vivo e castigou um Palmeiras incapaz de sustentar a vantagem.
Nos minutos finais, o Verdão até tentou recuperar os três pontos, mas aí apareceu outro retrato de suas limitações. Maurício teve chance e finalizou fraco, Flaco parou em Arias, e o lance mais claro veio já nos acréscimos, quando Murilo apareceu livre na área, mas o goleiro do Cerro fez defesa espetacular à queima-roupa. O Palmeiras pressionou, mas não teve a frieza nem a força para transformar a reta final em vitória.
O empate, portanto, vai além de um simples ponto perdido fora de casa. Ele reforça a percepção de que o Palmeiras só vem sustentando parte de seus bons resultados porque a arbitragem tem tido influência direta em jogos anteriores, blindando um time que continua com problemas reais de criação, definição e consistência. Desta vez, sem esse empurrão, o que apareceu foi um Palmeiras que domina sem resolver, cede espaço ao adversário e tropeça quando precisa confirmar superioridade em campo.


