Centenas de milhares de plantas brasileiras coletadas por naturalistas europeus entre os séculos 18 e 20 estão voltando ao alcance dos pesquisadores do país em imagens de alta resolução. O projeto Reflora já incorporou mais de 500 mil registros vindos de grandes coleções estrangeiras.
Entre os exemplares digitalizados estão cerca de 265 mil amostras guardadas nos Jardins Botânicos Reais de Kew, em Londres, e outras 250 mil do Museu Nacional de História Natural de Paris. Um dos registros foi coletado na Bahia, em 1832, por Charles Darwin durante a viagem do navio Beagle.
As plantas prensadas e secas, chamadas exsicatas, funcionam como documentos científicos. Cada uma preserva informações sobre espécie, local e data de coleta e permite comparar características de organismos encontrados em diferentes épocas.
As imagens são reunidas no Herbário Virtual Reflora, mantido no Rio de Janeiro. O banco de dados aproxima pesquisadores de materiais que antes exigiam viagens internacionais e ajuda na identificação de espécies, revisão de classificações e estudo das mudanças ambientais.
O programa também estimulou a digitalização de acervos que permanecem no Brasil. Somando coleções nacionais e estrangeiras, o herbário virtual já reúne milhões de registros e transforma um patrimônio espalhado pelo mundo em infraestrutura aberta para a pesquisa da biodiversidade.


