O mercado brasileiro de cannabis medicinal cresceu em velocidade acelerada e movimentou perto de R$ 1 bilhão em 2025. No mesmo período, aumentou a presença de grandes laboratórios e empresas internacionais, enquanto associações de pacientes que abriram caminho para o acesso ao tratamento enfrentam dificuldades para atuar.
As autorizações concedidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para importação de produtos à base de canabinoides saltaram de 850, em 2015, para quase 195 mil dez anos depois. O país já reúne 52 produtos com autorização sanitária, controlados por 25 empresas.
O avanço corporativo contrasta com a situação de centenas de associações formadas por famílias e pacientes. Muitas dependem de decisões judiciais para cultivar a planta e produzir óleos destinados aos associados. Sem uma regulamentação específica, elas convivem com insegurança jurídica e limitações para ampliar a produção.
O setor também reúne modelos diferentes de acesso. Há medicamentos registrados, produtos com autorização sanitária, importação individual mediante prescrição e fornecimento por associações. Essa fragmentação afeta preços, padronização e capacidade de fiscalização.
O crescimento do mercado evidencia a necessidade de regras que conciliem controle de qualidade, pesquisa, acesso dos pacientes e reconhecimento do papel das entidades que iniciaram a mobilização. Sem esse equilíbrio, a expansão tende a concentrar o setor nas empresas com maior capacidade financeira.


