A análise de gravações de câmeras corporais da operação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, aponta lacunas justamente em momentos importantes para esclarecer o que ocorreu. A ação deixou 122 mortos, incluindo cinco policiais.
A Defensoria Pública do Rio, pesquisadores da Universidade Federal Fluminense e a Human Rights Watch examinaram milhares de horas de vídeo. Segundo a organização de direitos humanos, em 36% dos episódios analisados que envolveram disparos, entradas em casas ou abordagens, as lentes estavam cobertas.
Os registros também incluem câmeras retiradas do uniforme e deixadas no chão ou dentro de viaturas. As entidades apontam que parte dos equipamentos deixou de gravar durante o avanço da operação. As imagens disponíveis, portanto, não permitem reconstruir integralmente as circunstâncias de todas as mortes.
O Ministério Público reconheceu que problemas nas gravações prejudicaram a apuração e recomendou mudanças no uso dos equipamentos e nas baterias. As conclusões dos relatórios são elementos de investigação; eventuais crimes e responsabilidades individuais dependem de apuração e julgamento.


