Os três maiores bancos privados do país reforçaram a proteção contra inadimplência e indicaram maior cautela na concessão de empréstimos durante o segundo semestre. Itaú Unibanco, Bradesco e Santander reservaram juntos R$ 28,7 bilhões para possíveis perdas com calotes no segundo trimestre de 2026.
O valor representa crescimento de 12,4% em relação ao mesmo período do ano passado. No mesmo intervalo, a carteira conjunta de crédito das instituições avançou 9,4% e chegou a R$ 3,37 trilhões.
A preocupação está relacionada aos juros elevados e ao comprometimento da renda das famílias. Em junho, 4,68% do crédito do sistema financeiro estava atrasado havia mais de 90 dias, patamar superior à média histórica de 3,29%.
Executivos do setor afirmam que os bancos tendem a reduzir operações de crédito pessoal sem garantias e priorizar financiamentos com algum tipo de proteção, como imóveis, veículos ou fundos garantidores voltados a pequenas e médias empresas.
O endividamento das famílias também permanece próximo do maior nível da série histórica do Banco Central. Em janeiro, as dívidas bancárias correspondiam a 49,93% da renda acumulada pelos lares nos 12 meses anteriores.
Mesmo com o desemprego em nível baixo, analistas avaliam que a desaceleração da economia e a manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado podem impedir uma melhora rápida da inadimplência. Para o consumidor, o cenário tende a significar análise mais rigorosa, limites menores e maior exigência de garantias.


