A Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo aplicou autuações que somam R$ 2,8 bilhões à Fast Shop e à Ultrafarma. As medidas ocorreram após uma investigação do Ministério Público paulista sobre um suposto esquema de cobrança de propina para acelerar e ampliar a restituição de créditos tributários.
A Fast Shop recebeu uma autuação de R$ 1,47 bilhão. No caso da Ultrafarma, três frentes de fiscalização totalizaram R$ 1,38 bilhão. As empresas foram procuradas pela reportagem que revelou os valores, mas não haviam apresentado resposta até o fechamento.
As apurações fazem parte dos desdobramentos da Operação Ícaro, deflagrada em agosto de 2025. A investigação suspeita da atuação de uma assessoria clandestina formada por auditores fiscais dentro da estrutura do Fisco estadual.
No início da operação, foram presos Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, e Mário Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop. Os dois foram soltos posteriormente e respondem em liberdade. A existência das autuações não equivale a condenação criminal.
O principal alvo da investigação é o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como King, apontado como possível líder do esquema. Ele permanece preso. A apuração estima que o grupo tenha movimentado cerca de R$ 1 bilhão em propinas e investiga a origem de mais de R$ 100 milhões em criptoativos atribuídos ao auditor.
Segundo a investigação, o mecanismo teria funcionado ao menos desde 2002, com a liberação de créditos de ICMS inflados em troca de pagamentos ilegais. O material consultado não informa se as autuações já foram contestadas administrativamente nem apresenta decisão definitiva sobre as suspeitas criminais.


