Os pedidos de recuperação judicial de Casas Bahia e Lojas Marabraz expõem uma crise mais ampla no varejo brasileiro. Juros elevados, endividamento, queda nas vendas e mudanças no comportamento dos consumidores estão pressionando empresas de diferentes segmentos.
A Casas Bahia informou R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas à recuperação judicial. A companhia, que teve receita líquida de R$ 29 bilhões no último ano, não prevê retomar o crescimento nos próximos dois anos. A Marabraz, empresa familiar com faturamento estimado em R$ 1 bilhão, declarou passivo de aproximadamente R$ 140 milhões.
Especialistas apontam que plataformas digitais aumentaram a comparação de preços e facilitaram o acesso a produtos importados, especialmente da China. Ao mesmo tempo, famílias das classes C e D passaram a destinar parte maior do orçamento ao pagamento de dívidas e às apostas on-line, reduzindo o consumo de móveis, eletrodomésticos e materiais de construção.
A melhora da fiscalização tributária também diminuiu a possibilidade de empresas utilizarem impostos atrasados como capital de giro. Imóveis oferecidos como garantia perderam atratividade para os bancos porque podem ser considerados essenciais à atividade durante uma recuperação judicial. A avaliação é de que o cenário continuará desafiador em 2027.


