O número de empresas em recuperação judicial no Brasil aumentou 65,8% em três anos. O total passou de 3.823 no segundo trimestre de 2023 para 6.341 no mesmo período de 2026, segundo levantamento da consultoria RGF, especializada em reestruturação empresarial.
O avanço ocorre em um cenário de juros elevados, crédito mais restrito e aumento da inadimplência. A taxa Selic está em dois dígitos desde o início de 2022 e chegou a 14% ao ano. O custo do capital de giro também permanece alto, enquanto o volume emprestado às empresas caiu 0,9% no primeiro semestre, na comparação com o mesmo período do ano passado.
O agronegócio lidera o movimento. Nos 12 meses encerrados no segundo trimestre, 1.265 empresas do setor estavam em recuperação judicial, alta de 66%. Transporte e logística aparecem na sequência, com crescimento de 24%, e o comércio registrou aumento de 22%.
No campo, o quadro é associado à combinação entre crédito caro, queda nos preços internacionais de commodities, custos elevados de insumos e perdas de safra provocadas pelo clima. No varejo, pesam a redução do poder de compra e a concorrência das plataformas digitais. A indústria, por sua vez, enfrenta pressão de produtos importados.
As recuperações extrajudiciais também ganharam espaço. O número de casos passou de 43 em 2023 para 82 em 2025. Até 18 de agosto deste ano, já haviam sido registrados 44 processos. Nesse modelo, a empresa negocia com parte dos credores antes de levar o acordo à Justiça.
O levantamento aponta ainda que 9,1 milhões de empresas estão negativadas no país. Desse total, 8,6 milhões são micro e pequenas empresas, que enfrentam maior dificuldade para recorrer a processos formais de reestruturação devido aos custos e à complexidade do procedimento.
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