Nascer em uma família de alta renda continua oferecendo uma vantagem decisiva para permanecer no topo da distribuição econômica brasileira. Um novo levantamento sobre mobilidade social mostra que a chance de um filho de família rica continuar entre os mais ricos é cerca de sete vezes maior do que a possibilidade de uma criança pobre alcançar esse mesmo grupo na vida adulta.
O estudo, elaborado pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social em parceria com o Prospera Lab, acompanha a renda dos pais e dos filhos para medir quanto a origem familiar influencia o resultado econômico da geração seguinte. Entre os filhos dos 25% mais ricos, 56,5% permaneceram nessa faixa. Quase um terço, 30,88%, chegou ao grupo dos 10% de maior renda.
No ponto de partida mais baixo, apenas 8,3% dos filhos das famílias situadas entre os 25% mais pobres alcançaram o quarto mais rico da população. A proporção que chegou aos 10% do topo foi de 1,28%. Entre os filhos de famílias de renda intermediária, 17,57% avançaram para o grupo dos 25% mais ricos e 3,92% entraram nos 10% superiores.
O atlas usa valores de dezembro de 2019 para comparar os grupos. Naquele momento, a renda familiar média entre os 25% mais ricos era de R$ 7.266,03, enquanto o ingresso no grupo dos 10% superiores exigia mais de R$ 13.773,14. A faixa intermediária girava em torno de R$ 3.850, e o quarto mais pobre recebia até R$ 2.183,41.
A comparação entre gerações nascidas de 1983 a 1987 e de 1988 a 1990 aponta uma melhora discreta. A parcela de jovens de origem pobre que chegou ao quarto mais rico subiu de 7,9% para 8,8%. Entre os de renda intermediária, a passagem para o topo avançou de 16,6% para 18,6%.
O movimento indica algum ganho de mobilidade, mas insuficiente para romper o peso da origem familiar. Educação, acesso a redes de oportunidade, local de moradia e estabilidade financeira ao longo da infância ajudam a explicar por que o ponto de partida continua determinando tanto o destino econômico.


