Flávio Bolsonaro venceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 15 dos 21 municípios que aparecem entre os líderes de desmatamento, queimadas e garimpo na Amazônia Legal. O resultado representa pouco mais de 70% das cidades reunidas nesses três rankings ambientais.
Esses municípios têm economias fortemente influenciadas pela extração de madeira e ouro, pela grilagem, pela criação de gado e pela produção agrícola em áreas abertas na floresta. Em localidades como Altamira, São Félix do Xingu e Colniza, o candidato do PL obteve vantagem expressiva.
O desempenho eleitoral contrasta com o quadro geral da Amazônia Legal. Considerando todos os municípios da região, Lula venceu em 425 cidades, enquanto Flávio ficou à frente em 351. A concentração do voto no candidato do PL é maior justamente onde a pressão sobre a floresta se mostra mais intensa.
Durante a campanha, Flávio defendeu a retirada do que chama de “amarras ambientais” e prometeu mudanças nas regras para acelerar a exploração de recursos naturais. O discurso encontra apoio em áreas nas quais produtores, garimpeiros e madeireiros criticam a fiscalização federal.
O programa do candidato afirma que o combate ao desmatamento ilegal continuará e cita o uso de inteligência artificial no monitoramento. Ao mesmo tempo, propõe reduzir sobreposições entre Ibama, Funai e ICMBio, órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental e pela proteção de povos tradicionais.
Lula, por sua vez, estabeleceu como meta alcançar o desmatamento zero até 2030 e defende o fortalecimento dos órgãos de fiscalização. A redução das áreas destruídas nos últimos anos é apresentada pelo governo como resultado da retomada das operações de controle.
O mapa eleitoral mostra que a política ambiental será um dos pontos de maior contraste no segundo turno. O resultado das urnas pode definir se o país manterá a estrutura de proteção atual ou abrirá espaço para regras mais permissivas nas regiões submetidas à maior pressão econômica.


