A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2026 por sua atuação na defesa dos direitos humanos, do Direito Internacional e da responsabilização por crimes de guerra e contra a humanidade.
Ao anunciar a escolha, o Comitê Norueguês do Nobel destacou a contribuição de Pillay para a construção de uma ordem jurídica internacional mais abrangente. A entidade também afirmou que a paz depende de instituições capazes de resolver conflitos sem violência e garantir Justiça às vítimas.
Nascida em Durban, na África do Sul, em 1941, Pillay cresceu durante o regime do apartheid. De ascendência indiana, enfrentou discriminação racial e tornou-se a primeira mulher não branca a abrir um escritório de advocacia na província de Natal.
Atuação contra o apartheid
Durante a carreira, ela defendeu militantes contrários ao apartheid e conseguiu, em 1973, assegurar acesso de advogados aos presos políticos mantidos na Ilha Robben, onde Nelson Mandela ficou encarcerado.
Em 1995, tornou-se a primeira mulher não branca indicada à Suprema Corte sul-africana. No ano seguinte, passou a integrar o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994.
Pillay fez parte do grupo de magistrados que estabeleceu, pela primeira vez, que o estupro poderia constituir um ato de genocídio. Posteriormente, atuou no Tribunal Penal Internacional e exerceu o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Recado em defesa das instituições
A escolha ocorre em um período de crescente pressão contra tribunais e organismos multilaterais. O comitê apresentou a premiação como um lembrete de que o Estado de Direito, em âmbito nacional e internacional, é indispensável para a paz.
Ao comentar a homenagem, Pillay dedicou o prêmio às vítimas de crimes internacionais e aos defensores dos direitos humanos. Ela pediu que os governos respeitem as normas internacionais e preservem a independência das instituições de Justiça.
A jurista também reagiu com humor às especulações sobre a frustração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por não receber a honraria. Durante um evento na Alemanha, brincou que poderia dividir o prêmio com ele caso o público aplaudisse mais.


