O novo presidente da Colômbia, Abelardo De La Espriella, assumiu o cargo com a promessa de intensificar o combate ao narcotráfico. A bandeira, porém, colocou sob escrutínio sua própria trajetória como advogado de pessoas acusadas de envolvimento com organizações criminosas.
Antes de entrar na política, De La Espriella construiu uma carreira jurídica de grande visibilidade. Entre seus clientes esteve o empresário colombiano Alex Saab, acusado pelos Estados Unidos de lavar dinheiro e de atuar como operador financeiro do governo venezuelano. O presidente também representou outros investigados por tráfico de drogas e crimes relacionados.
A atuação profissional chamou a atenção de procuradores norte-americanos no passado, segundo o The New York Times. De La Espriella nunca foi acusado formalmente de crime. Seu gabinete afirma que a conduta do presidente como advogado foi impecável e que a defesa de clientes não significa concordância com as acusações apresentadas contra eles.
O contraste entre o discurso atual e a antiga carteira de clientes deve acompanhar o início do governo. A Colômbia continua sendo o principal produtor mundial de cocaína e enfrenta pressão constante de Washington para reduzir plantações, laboratórios e rotas internacionais.
Para De La Espriella, o desafio será transformar a promessa de linha dura em resultados concretos sem permitir que dúvidas sobre seu passado enfraqueçam a credibilidade da política antidrogas. A forma como seu governo conduzirá investigações e cooperação internacional será observada de perto dentro e fora do país.


