A Universidade de Oxford iniciou o primeiro ensaio clínico em humanos de uma vacina voltada à cepa Bundibugyo do Ebola. O estudo de Fase I marca uma etapa importante na tentativa de ampliar as ferramentas de resposta a uma variante do vírus que ainda não conta com vacina ou tratamento licenciado.
O ensaio vai avaliar a segurança e a resposta imunológica da vacina ChAdOx1 BDBV em 50 adultos saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos. Os testes serão conduzidos no centro de vacinologia clínica de Oxford.
A vacina foi desenvolvida em cerca de oito semanas a partir da plataforma de adenovírus de chimpanzé já utilizada por cientistas da universidade durante a pandemia de Covid-19. A rapidez no desenvolvimento ocorre em meio ao avanço de um novo surto de Ebola na República Democrática do Congo.
A RDC declarou o 17º surto da doença em 17 de maio de 2026, após o surgimento de casos na província de Ituri, no nordeste do país. Desde então, a doença se espalhou para Kivu do Norte, Kivu do Sul e também para Uganda. Até 9 de julho, haviam sido registrados 1.792 casos confirmados e 625 mortes na RDC. Uganda confirmou 20 casos e dois óbitos. Também foram identificados casos importados na Alemanha e na França.
Diferentemente da cepa Zaire, associada à epidemia de 2014 na África Ocidental, a cepa Bundibugyo ainda não possui vacina aprovada. A taxa de letalidade da doença causada por esse vírus é estimada entre 25% e 40%.
A produção em larga escala da vacina envolve uma parceria entre Oxford, o Serum Institute of India e a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias. O projeto recebeu US$ 8,6 milhões em financiamento da entidade. Segundo informações divulgadas, cerca de 620 mil doses já foram estocadas para possível distribuição, além de 4 mil doses investigacionais produzidas.
Em maio, um painel de especialistas da Organização Mundial da Saúde apontou a vacina de Oxford e do Serum Institute como uma das candidatas mais promissoras contra o Ebola Bundibugyo. A avaliação indicava que o imunizante poderia chegar aos ensaios clínicos em dois ou três meses, prazo que acabou sendo cumprido com o início do estudo.
A vacina de Oxford é a primeira entre quatro candidatas a entrar em testes clínicos. Outra opção em desenvolvimento é uma vacina rVSV Bundibugyo de dose única, criada pela Iniciativa Internacional de Vacinas contra a Aids, mas ainda com previsão de sete a nove meses até estar pronta para ensaios.
Além da busca por uma vacina, também avançam estudos para tratamento de pacientes infectados. Um ensaio terapêutico chamado PARTNERS abriu inscrições na RDC em 2 de julho para testar se o anticorpo monoclonal MBP134 e o antiviral remdesivir podem melhorar a sobrevivência de pessoas com a doença.
Os primeiros resultados de segurança e resposta imunológica do ensaio de Oxford podem ser divulgados já em setembro.


