Diálogos analisados pela Polícia Federal indicam que a lobista Roberta Luchsinger afirmou falar em nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante negociações para tentar levar ao governo federal um projeto ligado à cannabis medicinal.
Em uma das conversas, Roberta teria escrito “Eu sou o Fábio” a um ex-assessor parlamentar. Segundo a investigação, ela buscava remuneração de 20% em contratos que poderiam resultar da proposta apresentada ao Ministério da Saúde.
As mensagens também citam o advogado Otto Medeiros e uma suposta proximidade com o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal. O magistrado afirmou nunca ter sido sócio do advogado e informou que se declara impedido em processos nos quais Medeiros atua no STF.
Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, confirmou ter recebido um modelo de contrato. Ele afirmou, porém, que não encaminhou o documento ao governo. A proposta não avançou no Ministério da Saúde.
A defesa de Lulinha disse não poder atestar a autenticidade das mensagens e classificou os vazamentos como criminosos e politicamente motivados. A defesa de Roberta informou que não comentaria o caso. As apurações tratam de suspeitas de corrupção e tráfico de influência, ainda sem conclusão definitiva.


