A Polícia Civil de São Paulo aponta possível confusão patrimonial entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e empresas controladas por Karina Ferreira da Gama, ligada à produção de Dark Horse. A suspeita aparece em documentos tornados públicos pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, neste domingo (13), e fundamenta o pedido de rastreamento de recursos recebidos da Prefeitura de São Paulo.
Na manifestação reproduzida na decisão, a polícia cita registros da Junta Comercial e da Receita Federal que relacionam Karina à presidência do instituto e à administração das empresas Go Up Entertainment e Go7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural. A concentração do controle dessas pessoas jurídicas é um dos pontos usados para justificar a pesquisa financeira.
Outro elemento é o registro das entidades no mesmo endereço comercial, ainda que para fins fiscais. Para a autoridade policial, essa coincidência sugere uma possível falta de separação estrutural e operacional. O documento também informa que o ICB passou a funcionar fisicamente em outro endereço. O compartilhamento de sede é um indício contextual, cuja relevância depende das operações efetivamente realizadas.

O objetivo declarado é verificar se os repasses municipais custearam o contrato de serviços públicos ou foram direcionados a outras finalidades. A pesquisa solicitada ao Coaf alcança o ICB e Karina, com marco inicial em 20 de junho de 2024, data da parceria municipal examinada, e prevê análise dos pagamentos a empresas subcontratadas.
A polícia menciona possível utilização de faturas inidôneas e notas fiscais canceladas como elementos documentais para prosseguir na apuração. Na mesma manifestação, contesta o argumento da defesa de autonomia patrimonial entre instituto e empresas. Também sustenta que decisões na esfera cível e devoluções administrativas de valores não encerram automaticamente a investigação criminal.
O material distingue o contrato municipal da apuração federal sobre a produção cinematográfica. A presença de pessoas e empresas relacionadas às duas frentes motivou o compartilhamento de provas. Essa ligação é justamente o que os investigadores pretendem esclarecer ao reconstruir a circulação do dinheiro.
Dino acolheu o pedido de informações financeiras e determinou a transferência à PF dos equipamentos, documentos e dados recolhidos pelas autoridades estaduais. Segundo a decisão, os relatórios do Coaf poderão confirmar ou afastar as linhas investigativas.
Karina nega irregularidades e sustenta que Dark Horse foi financiado com recursos privados. A defesa invoca a separação patrimonial das pessoas jurídicas. A suspeita de mistura de patrimônio e de desvio permanece sob investigação; os documentos não permitem atribuir automaticamente essas condutas a Flávio Bolsonaro.


