A Entre Investimentos, apontada pela Polícia Federal como intermediária de remessas relacionadas a Dark Horse, aparece ao lado de Banco Master e Daniel Vorcaro em um processo administrativo sobre supostas operações fraudulentas no mercado de capitais. A representação policial sobre o filme cita esse histórico para questionar a escolha da empresa na estrutura do financiamento negociado por Flávio Bolsonaro.
O documento de 8 de julho de 2026 identifica Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, como empresário ligado à Entre. Para os investigadores, os vínculos anteriores entre os participantes são relevantes para compreender por que a companhia foi usada para transferir recursos ao Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos.
O procedimento mencionado é o Processo Administrativo Sancionador 19957.007976/2020-94, da Comissão de Valores Mobiliários. Conforme comunicado oficial da autarquia, a apuração trata de supostas operações fraudulentas e inclui negociações de cotas do Brazil Realty Fundo de Investimento Imobiliário.

Em 2 de dezembro de 2025, o colegiado da CVM rejeitou novas propostas de termo de compromisso de Entre Investimentos, Freixo Júnior, Banco Master, Viking Participações e Vorcaro. Os valores propostos somavam R$ 21.285.000. Eram ofertas para encerrar o procedimento mediante acordo, não multas aplicadas ou pagamentos relativos ao filme.
A recusa ocorreu apesar da recomendação favorável do Comitê de Termo de Compromisso. O colegiado retomou a discussão após a devolução de um pedido de vista e decidiu não aceitar as propostas. Essa deliberação não equivale, por si, a um julgamento condenatório dos envolvidos.
Na investigação de Dark Horse, a PF utiliza a referência como parte do histórico das relações financeiras. O processo da CVM tem objeto próprio; a apuração policial deve demonstrar se e de que modo as conexões entre os participantes influíram nas operações vinculadas à produção cinematográfica.
A representação pede documentos para esclarecer a atuação da Entre e de Freixo nas remessas, a origem do dinheiro e os beneficiários finais do fundo estrangeiro. A questão vai além de identificar quem realizou a transferência: envolve determinar quem a ordenou, a que título ocorreu e qual foi seu destino econômico.
Flávio afirma que sua participação se limitou à captação de financiamento privado e nega irregularidades. As suspeitas descritas pela PF continuam dependentes do exame dos contratos, registros financeiros e demais elementos reunidos na investigação.


