A Polícia Federal utilizou registros de edição de notas, capturas de tela e atividade no WhatsApp para relacionar 52 conteúdos do celular de Daniel Vorcaro a conversas com o contato identificado como Alexandre de Moraes. O relatório distingue cinco imagens recuperadas diretamente de outras 47 associações construídas a partir da proximidade temporal entre ações no aparelho.
Por isso, o material não pode ser descrito como 52 mensagens integralmente recuperadas de uma conversa. Em parte dos casos, a conclusão sobre o destino do conteúdo resulta de uma reconstrução dos vestígios, e não da leitura de um arquivo preservado com todos os elementos de envio e recebimento.
O aparelho foi apreendido na primeira fase da Compliance Zero, em novembro de 2025. Segundo a PF, a extração foi realizada com ferramentas forenses e registrada em laudo com identificador de integridade. Os investigadores usaram os programas IPED e Cellebrite Reader para examinar os dados disponíveis.

A sequência analisada envolve a abertura ou modificação de uma nota, a criação de imagem ou arquivo temporário e a atividade no aplicativo de mensagens em horários próximos. Os investigadores sustentam que a repetição desse padrão ajuda a identificar o destinatário provável. A força dessa associação depende dos registros apresentados para cada episódio.
A análise também exige cuidado com os fusos horários: o relatório utiliza registros em UTC e horários convertidos para o Brasil. Comparações diretas sem essa conversão podem produzir uma cronologia errada. Além disso, a identificação de uma conta no aparelho não revela automaticamente quem estava operando o telefone em cada momento.
O relatório foi produzido em resposta a uma requisição de informações com prazo de 72 horas e afirma não esgotar o material. A PF sustenta que trabalhou sobre dados já obtidos, sem realizar uma investigação autônoma nova contra autoridades citadas.
A PGR discorda do enquadramento processual. Em manifestação de 1º de setembro, Paulo Gonet pediu a anulação da ordem e dos resultados, alegando iniciativa sem provocação adequada e violação do rito aplicável a ministros do STF. O pedido é uma posição processual, não uma anulação já determinada.
A metodologia torna possível avaliar como a polícia chegou às suas conclusões. Também delimita o que continua sem demonstração direta, como o conteúdo de respostas de Moraes e a efetiva adoção de providências a partir dos pedidos escritos por Vorcaro.


